A decisão de indicar monitorização neurofisiológica intraoperatória depende de um critério direto: existe, naquele procedimento, risco relevante a uma estrutura do sistema nervoso central ou periférico cuja lesão traria uma consequência funcional significativa?

Quando a resposta é sim, a MNIO agrega valor real.

A seguir, as principais categorias em que essa indicação se aplica.

Cirurgias de coluna

É o cenário mais estabelecido de uso da MNIO.

Correções de deformidade (como escoliose), cirurgias de tumores intra ou extramedulares, e descompressões complexas em estenose cervical com mielopatia colocam a medula espinhal e as raízes nervosas sob risco direto durante manobras de correção, distração ou ressecção.

O monitoramento contínuo das vias motoras e sensitivas nesses casos permite detectar comprometimento medular no momento em que ele começa, antes de se tornar um déficit motor permanente.

Neurocirurgias

Em ressecções de tumores cerebrais localizados próximos a áreas eloquentes, como o córtex motor e o trato corticoespinal, a MNIO orienta o cirurgião sobre o limite seguro de ressecção em tempo real, equilibrando a remoção do máximo de tumor possível com a preservação da função.

Em cirurgias da base do crânio e de nervos cranianos específicos, a eletromiografia intraoperatória identifica a proximidade dessas estruturas antes que sejam manipuladas ou lesadas.

Cirurgias de cabeça e pescoço

Procedimentos como esvaziamentos cervicais, ressecção de tumores de parótida e tireoidectomias mais extensas colocam em risco estruturas como o nervo facial, o nervo laríngeo recorrente e ramos do plexo braquial.

A identificação eletromiográfica dessas estruturas durante a dissecção reduz a chance de lesão inadvertida em uma região anatômica de alta densidade de nervos relevantes para função motora da face e da voz.

Cirurgias pélvicas e de quadril

Cirurgias oncológicas pélvicas extensas e revisões complexas de artroplastia de quadril podem colocar em risco o plexo lombossacro e nervos como o ciático e o femoral.

Nesses casos, a MNIO funciona como um sistema de alerta precoce durante manobras de retração, ressecção ou correção que, de outra forma, só teriam seu impacto neurológico percebido no pós-operatório.

O critério comum entre todas as indicações

Em todos os cenários acima, o denominador comum não é o nome da cirurgia, mas a proximidade real entre o campo cirúrgico e uma estrutura neurológica funcionalmente relevante.

É esse critério, e não uma lista fixa de procedimentos, que deve orientar a decisão de indicar monitorização em um caso específico.

Perguntas frequentes

A MNIO é indicada apenas em cirurgias de alta complexidade?

Na maioria dos casos, sim, mas o critério mais relevante é a proximidade com estrutura neurológica de risco, e não apenas a complexidade geral do procedimento.

Quem decide se a cirurgia precisa de monitorização intraoperatória?

A indicação é definida em conjunto entre o cirurgião responsável e a equipe de neurofisiologia, considerando o planejamento cirúrgico específico do caso.